domingo, 27 de fevereiro de 2011

o medo

o tempo passa, e a força do medo cresce na mesma proporção. muda a face, a aparência, mas continua lá. na infância, era sinônimo de assombração, fantasmas. hoje se encontra no espaço entre o incontrolável e o desconhecido. no meio, a dor e o sofrimento. sim, ninguém deseja sofrer. é o motivo de uma batalha diária em busca da tal felicidade.

Minha força está na solidão.
Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas,
pois eu também sou o escuro da noite.
(Clarice Lispector)

o peito aperta, a cabeça gira, a respiração fica ofegante. boca seca, olhos piscantes, mãos e pés gelados. sintomas do temor tomando conta do corpo. reações frente ao obscuro, indecifrável, daquilo que não pode ser facilmente controlado. sem ter o poder de guiar todas as situações, surge o medo. simples dizer "arrisque, vá em frente", se o trajeto perseguido sempre está marcado por cicatrizes difíceis de curar.

Coragem é a resistência ao medo,
domínio do medo,
e não a ausência do medo.
(Mark Twain)

assim passa o tempo, os fantasmas se transformam. há quem prefira descartar o risco, o perigo. não julgo. o medo pode ser também um aliado contra a precipitação, o instinto. é uma opção. mas tenho que confessar que a quantidade de vezes que quebrei a cara está intimamente relacionada com esta ânsia de enfrentar meus fantasmas. pode parecer tolo procurar na escuridão as rédeas de algo sequer delimitado, mas é um risco. você pode cair. você pode se machucar. mas você pode encontrar a direção correta e ser presenteado pelo brilho do sol.

O medo tem alguma utilidade,
mas a covardia não.

Mahatma Gandhi

medo de mudar, medo de se entregar, medo de ser o que se é, medo de falar, medo de lutar... são tantos que, em qualquer mesa de bar, é possível completar esta lista quase infinita. convivo com alguns, e aprendi a lidar com eles muito bem. quando chegam assim de repente, acompanhado por uma carreata de pensamentos negativos, foco na única coisa boa que pode acontecer em meio à lógica do pessimismo. o medo vem, eu expulso. retorna, e eu dou um chega pra lá mais duro. às vezes, o resultado é surpreendente. na verdade, na maioria das vezes. isso porque, mesmo com um final triste, a coragem de ter arriscado traz à tona uma força indescritível. preenche as lacunas com toques de segurança. mostra aquela independência do livre arbítrio a cada suspiro. faz da tentativa apenas um passo entre tantos que ainda estão por vir.

O medo é o pai da moralidade.
Friedrich Nietzsche

3 comentários:

carlinha disse...

pára de ter medo, guria! eu sempre invejei tua coragem!!! seja lá o q for, foco, amiga, foco!!!rsrsrs

LU K. disse...

é só uma reflexão, amiga! :) o resto fica para uma mesa de bar. em março, tô aí!

LU K. disse...

é só uma reflexão, amiga! :) o resto fica para uma mesa de bar. em março, tô aí!